Wednesday, October 17

A minha vida de monge durante 10 dias

De 3 a 14 de Outubro vivi a experiência de ser um Monge, pois fui alojado e alimentado sem ter pago absolutamente nada e mais, ofereceram-me um Curso de Meditação. Tratou-se do Curso de Meditação Vipassana.

Para a minha participação no curso apenas tive de comprometer-me que durante a duração do curso:
1 - Abstinha-me de matar qualquer ser vivo,
2 - Abstinha-me de roubar;
3 - Abstinha-me de qualquer conduta sexual;
4 - Abstinha-me de mentir
5 - Abstinha-me de ingerir qualquer tipo de intoxicante.

A esses preceitos chama-se SILA – conduta ética e moral.

Comprometi-me também a cumprir a disciplina e a meditar exactamente de acordo com as instruções, sem omitir ou acrescentar mais nada.

Comprometi-me a respeitar o “Nobre Silêncio” desde o início do curso até ao nono dia. Nobre Silencio significa silêncio de corpo, palavra e mente. Não é permitido qualquer tipo de comunicação entre os participantes, incluindo gestos, palavras, notas escritas, etc.

Comprometi-me a ficar no local onde se dá o curso durante os dez dias e a não manter qualquer contacto com o exterior.

E finalmente, comprometi-me a cumprir com o maior rigor possível o horário do curso: desde o despertar às 4h00, passando por meditar na sala de meditação até o recolher às 21h30.

Tratou-se de uma experiência de auto-descoberta no sentido de olhar para dentro e viver no momento presente, no aqui e agora.

Das várias descobertas uma foi muito clara – esta técnica de meditação é poderosa – e vai a raiz, “bate no osso” e ganhamos consciência do sentido de responsabilidade. Mais, vieram ao de cima coisas e situações que estava a mandar para debaixo do tapete. Tive vontade de fugir no terceiro, sexto e nono dias.

O novo dia foi revelador

Enquanto meditava estava a sentir pela primeira vez sensações nas várias partes do meu corpo, mais, devido ao meu nível de concentração estava a ver imagens de pessoas e situações que não tinha experimentado – senti que algumas parte do meu corpo estavam geladas, como os meus olhos e outras ardiam – as sensações eram claras e senti medo, pois soube que aquilo estava a mudar o meu carácter – então senti o meu corpo a gelar de medo. O medo era tal que queria fugir, mais há uma imagem que surgiu – eu a fugir - com a minha mochila às costas e quando ia atravessar a auto-estrada, sim estava a fugir à pé, pois tinha ido para lá de boleia, então quando estava a atravessar a auto-estrada fui atropelado e a minha cabeça rolou para a Berna da estrada – os carros continuavam a circular indiferentes.

Ainda estou na ressaca do curso, sinto neste momento a minha mão esquerda a tremer, enquanto estou a escrever este testemunho :-)

Be Happy!

Sadhu, sadhu, sadhu

4 comments:

Fada lalala said...

É verdadeiramente uma experiência muito forte. O ser Humano é o maior dos mistérios e tem dentro todo o Universo condensado. Daí, quando paramos para nos analizar um pouco que seja, ficamos maravilhados, e assustados e apaixonados. Já dizia algum Sr sábio: "Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo". Também tive imagens e momentos de medo ao sentir que o corpo se dissolvia. Afinal, todos temos certas coisas dadas como certas e não é fácil desconstruir vivencialmente muitas crenças. Até sempre :)
Uma experiência que todas as pessoas deviam ter pelo menos uma vez na vida! Vipassana :)

Metta

Anonymous said...

You are losing the plot! G

ISABEL MAR said...

foi forte, sim... mt forte... fico feliz por teres descrito tão bem o que aconteceu... foi linda a partilha que tivemos, não foi? esperemos k estes 10 dias de monge nos mudem ... anicca, anicca - you're bound to be successful, bound to be successful...
mt luz pa ti :)

ordePadamaR said...

Não se esquece mesmo..Faz bem, muito bem mesmo. Não muda só a nossa consciência, muda a forma como temos consciência. É muito importante que não se fique por aqui. Tornar a meditação um hábito de todos os dias, de tal forma que o dia todo fica a caber nesse espaço de tempo, provoca inúmeras "coincidências" no nosso quotidiano.. A mim fez-me olhar de novo e com outro insight para as interpretações da mecanica quantica ou, para filmes como a "Mensagem da Água" do Masuru Emoto.

A senso-percepção do corpo (Cenestesia) já a tinha do Yoga, mas nunca tinha sentido o Ser tão próximo.. lembro-me de ter tido a noção do que os budistas tibetanos denominam de vacuidade.. e claro o sentido, agora muito familiar, da impermanência e da atitude equanime que é necessário engendrar, na vida de todos os dias.

Um abraço e desculpa a extensão :-)

Que a Luz do Dharma te guie o caminho